História da Química
Segundo Chassot, as origens da alquimia – e da própria química – perdem-se em tempos de que não temos registros, pois não podemos assumir como certidão de nascimento dessa ciência a publicação do Traité elémentaire de chemie, por Antoine Laurent de Lavoisier (1743- 1794), em 1789, mesmo que com esse tratado a química tenha passado a ser considerada uma das ciências e que Lavoisier seja por muitos considerado o fundador da química.
Mesmo se recuarmos mais um século, não podemos decretar o início da química a partir do epitáfio dado pelos ingleses a Robert Boyle (1627-1691): “o Pai da Química”. A busca de um ponto de partida para o conhecimento mostra se uma investigação problemática e complexa – e provavelmente indefinida.
O domínio do fogo foi um dos primeiros conhecimentos ligados à química adquirido pelo homem primitivo. Era uma tarefa que provavelmente se lhe apresentava como algo muito perigoso e difícil, associada que era a seres ou forças sobre-humanas e, por conseguinte, ao culto místico e religioso. Parece indiscutível que dessa descoberta vieram importantes benefícios relacionados à melhoria da qualidade de vida. Assim, se fizermos recuar a história às origens do conhecimento químico, vamos encontrar em tempos imemoriais, nas mais diferentes civilizações, um grande número de tecnologias químicas, como as relacionadas com a alimentação (cocção, conservação com sal, produção de vinagre, vinho e cerveja); com a extração, produção e tratamento de metais; com a produção de esmalte e corantes; com o fabrico de utensílios de cerâmica, vidro, porcelana e metal; com a produção de pomadas, óleos aromáticos e venenos; com técnicas de mumificação; com a produção de materiais de construção como argamassa, tijolos, ladrilhos etc.
Então vamos ver alguns feitos históricos químicos, por volta de 6000 a. C. o homem já conhecia o cobre e o ouro, que eram extraídos em seu estado metálico diretamente do solo e trabalhados pela técnica de martelamento. Entre o período que vai de 4000 a 3000 a. C. já se conhecia as técnicas de obtenção de cobre e chumbo a partir de seus minérios, encontrados então muitas vezes na forma de óxidos metálicos ou como sulfetos.
Por volta do ano 1000 a. C. obter-se mercúrio de seus minérios e descobriu-se que ele dissolvia vários metais, formando amálgamas. Um dos principais empregos das amálgamas naquela época era a aplicação de ouro sobre superfícies de bronze ou prata, técnica conhecida como douração. A partir do ano 700 a. C. desenvolveu-se a cunhagem de moedas, que auxiliaram na organização das sociedades e no intercâmbio entre os povos da época. Na química doméstica, desenvolveu-se as técnicas da salga e de defumação de carnes, que permitiu conservá-las por longos períodos de tempo, e a utilização dos produtos gasosos da queima de enxofre como desinfetante. A descoberta da fermentação permitiu a produção cerveja (6000 a. C.), de vinhos de tâmara e de uva (4000 a. C.) e de vinagre.
A alquimia surgiu em cerca 300 d.C. em Alexandria, no Egito, e se expandiu pela Europa nos séculos seguintes, até cerca de 1400 d.C.. Seus praticantes, os alquimistas, se inspiraram nas concepções gregas sobre a constituição da matéria e do Universo para tentar buscar a Pedra Filosofal e o Elixir da Longa Vida.
Química no Brasil
José Bonifácio de Andrada e Silva, um dos personagens centrais do movimento da independência. José Bonifácio foi um dos mais importantes mineralogistas de sua época e é conhecido como o "patriarca dos químicos brasileiros". Por volta de 1800 ele descobriu dois minerais, a partir dos quais descobriu-se em 1818 o elemento Lítio.
A vinda da família real para o Rio de Janeiro em 1808 trouxe a necessidade de se estabelecer uma nova capital para o Império, o que promoveu a criação de vários organismos culturais no Brasil. A Real Academia Militar, fundada em 1811, foi a primeira instituição de ensino de química. As aulas de química faziam parte de um curso para soldados e oficiais, que ainda assistiam a aulas de matemática, física, mineralogia, entre outros. No mesmo período foram criados cursos de medicina na Bahia e no Rio de Janeiro em que eram ministradas aulas de química e farmácia, mas a situação destes cursos era extremamente precária e raramente havia aulas práticas. Somente a partir da segunda metade do século XIX aumentou a importância dada às disciplinas químicas.
Em 1812 foi criado o Laboratório Químico-Prático no Rio de Janeiro, responsável pelas primeiras operações de química industrial no Brasil e por investigações da composição de minerais e vegetais, com resultados interessantes para a época. Mas pouco tempo depois as atividades do laboratório se limitaram apenas a produção de alguns medicamentos. Um laboratório mais importante no período foi o Laboratório Químico do Museu Nacional, criado em 1818 no Rio de Janeiro. Neste laboratório efetuou-se as primeiras perícias toxicológicas, análises de combustíveis nacionais e investigações sobre a composição de amostras de pau-brasil vindas de várias regiões do país. O Laboratório Químico do Museu Nacional passou por períodos de relativa importância e esquecimento, relacionados à formação profissional do diretor do Museu Nacional e em 1931 foi extinto e suas atividades foram distribuídas entre outros laboratórios.
A Primeira Guerra Mundial tornou óbvia a necessidade de formação de químicos e a criação do ensino profissional técnico e do ensino científico voltado à pesquisa impulsionaram a criação de diversos cursos por todo o país de 1918 a 1930. Mas a criação da infra-estrutura necessária e manutenção de tais cursos não foi um processo contínuo e quase todos os cursos foram extintos antes de completarem 10 anos. A partir de 1930 foram criados cursos ligados às Faculdades de Ciências, dentro das Universidades, com um caráter mais investigativo. A profissão de químico foi regulamentada pelo decreto 24.693 de 12 de julho de 1934 e a criação do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais de Química foi definida pela lei 2.800 de 18 de junho de 1956, data na qual se comemora o "Dia do Químico". Os Institutos de Química criados com a Reforma Universitária de 1970, os Cursos de Engenharia Química e os cursos de técnicos químicos são responsáveis pela formação de grande parte dos profissionais em química atualmente.
Como Surgiu a Química Inorgânica???
Ao contrário das outras áreas, na história da Química, a Inorgânica somente ganhou definição como tal há pouco mais de um século, como sendo a química voltada para a crescente classe de compostos não-orgânicos. A descoberta dos elementos e as tentativas de classificá-los racionalmente conduziram à formulação da Tabela Periódica, em 1869, por D. Mendeleev.
A partir desse ponto, a curiosidade despertada a respeito da existência de novos elementos e a constatação das semelhanças entre suas propriedades atuaram como germe na nucleação da Química Inorgânica. Alfred Werner (1816-1919) foi o primeiro a questionar a validade das teorias e modelos aceitos na Química Orgânica, estruturando a nova Química Inorgânica em termos dos conceitos de coordenação e de estereoquímica. Curiosamente, após o enorme impacto da teoria de coordenação consagrada por Werner em sua grande obra (Neuere Anschauengen auf dem Gebiete der Anorganische Chemie, 1905), a Química Inorgânica passou por um período de menor atividade, que se estendeu até por volta de 1940.
Entretanto, de forma paradoxal, esse foi o período de maior renovação conceitual na história da ciência moderna, marcado pelo surgimento das teorias quânticas. Apesar da força do modelo estereoquímico de coordenação, introduzido por Werner desde o final do século XIX, a Química Inorgânica ainda não permitia um tratamento sistemático, a exemplo da química dos compostos orgânicos; muito menos exibia a lógica conceitual encontrada na Físico-Química. Dessa forma, os químicos inorgânicos, ao se ocuparem principalmente com a preparação e caracterização de diferentes compostos, acabaram gerando conhecimentos esparsos, embora importantes, porém ainda carentes de uma visão lógica ou sistemática mais desenvolvida. Por outro lado, sínteses, preparações e análises são processos interligados, e isso provavelmente explica o forte cunho analítico associado à área de Química Inorgânica, até a metade do século passado. Aos poucos, os modelos quânticos de ligação, como os introduzidos por H. Bethe (Teoria do Campo Cristalino) em 1929, e R. S. Mulliken (Teoria dos Orbitais Moleculares) em 1932, foram sendo assimilados pelos químicos inorgânicos.
Os químicos aprenderam com Linus Pauling como os átomos se expressam através das ligações. Além da estereoquímica, o conhecimento das ligações dava um novo impulso ao estudo da Química Inorgânica.
Com a II Guerra Mundial o mundo ingressou na era atômica, marcada pelo descobrimento dos elementos transurânicos e pelos avanços na radioquímica. A disponibilização de isótopos permitiu a realização de experimentos importantes sobre o comportamento cinético e mecanístico dos compostos inorgânicos, o qual foi racionalizado por H. Taube, em 1949, com base nas teorias de ligação. O entendimento lógico do caráter lábil/inerte dos compostos de coordenação lançou a semente dos mecanismos de transferência de elétrons, propostos por Taube em 1953, definitivamente consagrados com o Prêmio Nobel que lhe foi outorgado em 1983.
Referencias:
http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc01/historia.pdf
http://coral.ufsm.br/daquil/pag-div-hisa.html
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422002000800011










